domingo, 28 de agosto de 2011

Loucura.







Um trecho de "O elogio da Loucura - Erasmo de Roterdã"
"Todos se riem dessas extravagâncias, e os que as praticam passam por loucos, e loucos são realmente. Pouco se importam, porém. Contentes consigo próprios, nadam num mar de delícias; saboreiam a longos tragos os doces prazeres; numa palavra gozam da felicidade que eu lhes proporciono. Os que a tudo isso acham ridículo digam-me se não é muito melhor passar assim a vida numa loucura deliciosa do que pensar a cada instante em enforcar-se! E verdade que todos esses loucos ficam desonrados aos olhos do público. Mas que importa a eles? A desonra pertence aos males que eles não sentem; se a sentem uma vez ou outra, em pouco tempo conseguem expulsar tão desagradável sentimento. Que é o mal? A pedra que vos cai sobre a cabeça é um mal, não há dúvida. Mas a vergonha, a infâmia, a desonra, as injúrias só fazem mal aos que o querem. O mal não é mal para que o não sente. Todos te vaiam; que te importa, se tu te aplaudes? Ora, só a Loucura é que faz com que nos aplaudamos a nós próprios."
 

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